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PAISAGEM HISTÓRICA
– O CAMINHO NOVO DAS GERAIS
Com o crescimento
da exploração do ouro em Minas Gerais, entre 1701 e
1709, o sertanista Garcia Rodrigues Paes, filho do conhecido bandeirante
Fernão Dias, abre um caminho novo que facilita o trajeto entre
a Corte – no Rio de Janeiro – e o sertão mineiro.
Este percurso fica conhecido como o Caminho Novo dos Campos Gerais
ou Estrada Real da Corte ou, ainda, Estrada Nova, Estrada Oficial,
Caminho Novo das Gerais ou dos Sertões do Leste.
O caminho aberto por Garcia Rodrigues Paes ligava a região
conhecida como Borda do Campo, no atual município de Antônio
Carlos, à região do Paraibuna, onde hoje se encontra
Simão Pereira.
Deste modo, partindo da Borda do Campo, o Caminho Novo atravessava
a Serra da Mantiqueira, passava pelo arraial de João Gomes
(que veio a ser a cidade de Palmyra – atual Santos Dumont),
chegava à região de Chapéu D’Uvas –
passando por onde hoje se encontra Ewbank da Câmara –
e, do ponto onde hoje se situa Juiz de Fora, seguia por Matias Barbosa,
Simão Pereira, Serraria e Barra do Piraí para, então,
cruzar a Serra dos Órgãos e descer até o Rio
de Janeiro.
Inicialmente tortuoso e deserto – embora mais curto se comparado
ao Caminho Velho, que ligava Minas (partindo de Vila Rica –
atual Ouro Preto) ao Rio de Janeiro, passando por Tiradentes, São
João Del Rei, Baependi e Guaratinguetá, até chegar
em Paraty – o Caminho Novo demorou a ser amplamente utilizado
pela população que circulava pela Província de
Minas Gerais.
No entanto, a Coroa proibiu que fossem abertas vias secundárias
e incentivou a ocupação da região através
da concessão de cartas de sesmarias (terrenos doados) àqueles
que se comprometessem a se fixar na área fornecendo sustento
e abrigo aos viajantes, funcionários e soldados que cruzassem
o “caminho do ouro”. Deste modo, aos poucos o Caminho
Novo tornou-se o principal trajeto por onde fluíam as diligências
que entravam e saíam de Minas.
Com o objetivo de evitar ataques de salteadores aos viajantes e promover
a fiscalização (pagava-se o “quinto” sobre
todo ouro extraído), o trajeto tornou-se severamente policiado.
O que não impediu que fossem abertas trilhas dentro da mata,
com o intuito de permitir o escoamento de ouro contrabandeado.
Posteriormente, algumas rotas alternativas – como o caminho
que passava por onde hoje se localiza a cidade de Santana do Deserto
– foram abertas visando favorecer a ocupação da
região. Este trabalho foi conduzido pelo Alferes Joaquim José
da Silva Xavier, o Tiradentes, que trabalhou como Chefe de Patrulha
do Caminho Novo por vários anos.
Além de sua importância para a mineração,
o Caminho Novo também se destacou como palco da Inconfidência
Mineira. Foi através dele que os ideais revolucionários
transitaram e chegaram ao interior das Minas Gerais. E foi ao longo
de sua estrada que os restos mortais do próprio Tiradentes
– que se tornou líder dos inconfidentes – foram
espalhados, após ter sido enforcado e esquartejado.
Também o café chegou a Minas através do Caminho
Novo, no século XIX. Com o incentivo de D. João VI,
que distribuiu mudas e sesmarias, tornou-se o principal produto de
exportação da região.
Com o trânsito intenso gerado pela produção das
grandes fazendas de café, alguns trechos do Caminho tornaram-se
impraticáveis, o que levou a retificações em
seu traçado. Entretanto, grande parte do Caminho Novo foi aproveitada
posteriormente, na construção de rodovias e ferrovias
como a Estrada de Ferro Central do Brasil e as estradas de rodagem
União e Indústria e BR-040. Outros trechos, porém,
se perderam em terras particulares ou em centros urbanos.
O Circuito Turístico Caminho
Novo, compreende os municípios de Antônio Carlos, Santos
Dumont, Ewbank da Câmara, Juiz de Fora, Matias Barbosa, Santana
do Deserto e Simão Pereira (considerado no sentido Ouro Preto
- Rio de Janeiro).
Apesar de atravessar centros urbanos, a maior parte do percurso se
desenha em meio a paisagens bucólicas pontuadas por referências
históricas. Para quem faz o trajeto de carro, os longos trechos
de estrada de terra garantem a desaceleração necessária
para se curtir a paisagem e voltar no tempo e, quem se dispõe
a caminhar, é recompensado por belas trilhas que se revelam
por entre a mata, sobem morros e cruzam pastos. Seja como for, abrir
e fechar porteiras e atravessar mata-burros tornam-se ações
corriqueiras.
São fazendas e mais fazendas, igrejas e capelas, chafarizes,
antigas estações de trem e, até mesmo, cemitérios
singulares, que apesar do estado de conservação –
alguns estão em ruínas – constroem quadros fascinantes
que se tornam imagens inesquecíveis na memória dos viajantes.
Além disso, o ar puro e a paisagem de tirar o fôlego,
avistada dos pontos mais elevados da estrada, como no alto da Serra
da Mantiqueira, completam o encanto do Circuito Turístico Caminho
Novo.
Percorrer alguns trechos do trajeto a cavalo ou de bicicleta também
são boas pedidas. E o Circuito apresenta, ainda, áreas
propícias à prática de escalada, rafting e rapel.
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Não deixe de conhecer
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Em Antônio Carlos destaca-se a Fazenda da Borda
do Campo. Uma bela propriedade rural do século XVIII, tombada
pelo IPHAN em 1989 como um dos exemplares mais representativos de
sua época. Possui um expressivo conjunto arquitetônico
em estilo colonial composto pela sede (erguida em 1703) e por uma
Capela (erguida em 1711), que abriga retábulo em madeira e
forro pintado. Na entrada da fazenda – que pertenceu ao inconfidente
José Aires Gomes e está na família há
300 anos – encontra-se um importantíssimo marco de sesmaria.
Em Santos Dumont, a Casa Natal de Alberto Santos
Dumont – Pai da Aviação – é uma ótima
pedida para quem deseja conhecer a história desse herói
brasileiro. O museu situa-se aos pés da Serra da Mantiqueira,
em meio a um parque bem conservado. Na entrada encontra-se a parada
de trem Cabangu, criada em 1925. O conjunto do museu possui além
da casa, decorada com objetos pessoais e mobília original,
três pavilhões contendo acervo composto de fotografias,
documentos, cartas, projetos e réplicas de suas aeronaves –
apresentados de forma cronológica – e informações
sobre a aviadora Anésia Pinheiro Machado.
Ewbank da Câmara oferece ao turista que se
aventura pelo Circuito Turístico Caminho Novo o mais longo
trecho de trilha, que pode ser percorrido em, aproximadamente, 4 horas
de caminhada, partindo da Colônia de São Firmino até
Paula Lima, já em Juiz de Fora. O visual do percurso é
composto por riachos, áreas de mata, pastos, currais e panorâmicas
do verde “mar” de morros mineiros. Outra trilha, que corre
pelo alto, margeando a cidade, liga a Estrada de Desterro à
antiga Estação, e atual Biblioteca e Casa de Cultura
de Ewbank.
Em Juiz de Fora, a atração imperdível
fica por conta do Museu Mariano Procópio. Com um valioso acervo,
o Museu é guardião de parte importante da história
imperial brasileira, tendo recebido D. Pedro II como hóspede
por duas vezes, quando ainda era residência de Mariano Procópio
Ferreira Lage. O complexo do Museu é formado pela “Villa”,
pelo Anexo e pelo Parque, apresentando, além das edificações
e peças museológicas, jardins, trilhas, espelhos d’água,
fontes, um grande lago, centenas de jabuticabeiras e árvores
raras como sapucaia, jatobá, pau-brasil, cedro, braúna,
camélia e jasmim-do-imperador.
O destaque de Matias Barbosa
é a Capela do Rosário – antiga Capela de Nossa
Senhora da Conceição do Caminho Novo. Construída
em 1709, por Matias Barbosa da Silva, em terras de sua fazenda, a
singela capela é marcada pela história do Caminho Novo
e das Minas Gerais: era ponto de referência para os viajantes,
tendo servido de pouso aos Inconfidentes. Além disso, seu maior
mistério, e grande atração, é um túnel
que faz a ligação entre o piso da capela e a principal
avenida da cidade – a Avenida Cardoso Saraiva – e sobre
o qual existem várias hipóteses rendendo boas histórias.
O túnel é aberto à visitação.
Santana do Deserto
apresenta, em Silveira Lobo, seu ponto alto: a Fazenda Santa Sofia,
que pertenceu ao “Conde de Prados” – o renomado
médico e político influente Camilo Maria Ferreira Armond
– que prestou serviços ao Imperador. Trata-se de uma
fazenda, do início do século XIX, com um belo conjunto
arquitetônico e maquinário para o beneficiamento do café,
além de um grande acervo de objetos e documentos de época.
Já em Simão Pereira encontra-se um
dos mais significativos atrativos do Circuito: o Casarão do
Registro do Paraibuna. Edificação de importância
histórica para o país, onde era realizada a fiscalização
do quinto do ouro, no trecho do Caminho Novo. O Registro foi construído
na primeira década do século XVIII, às margens
do Rio Paraibuna e de frente para outro cartão postal da região
– a Pedra do Paraibuna. O casarão, que funcionou posteriormente
como hotel de viajantes, bordel e residência, é tombado
pelo município e aguarda um projeto de restauração
propondo seu uso como Centro Cultural.
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