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DAS SESMARIAS À MANCHESTER MINEIRA

A abertura do Caminho Novo fez florescer a atual cidade de Juiz de Fora, inicialmente conhecida como Santo Antônio do Paraibuna.

Em sua empreitada de abertura da nova estrada, Garcia Rodrigues Paes se estabeleceu na região da Fazenda da Tapera, cuja sede, ainda hoje de pé, foi construída entre 1704 e 1706 por Tomé Corrêa Vasquez, seu genro, sendo a primeira edificação erguida em terras juizforanas.

O povoamento da região foi feito através de doações de sesmarias (terras) pela Coroa Portuguesa, com a condição de que seus proprietários as tornassem produtivas, servindo de apoio aos viajantes e tropeiros que viessem a percorrer o Caminho Novo. Deste modo, surgiu o pequeno povoado que seria o embrião da cidade de Juiz de Fora, às margens do Caminho, próximo ao local conhecido como “Morro da Boiada” – atual Bairro Santo Antônio.


Fazenda da Tapera


A sesmaria concedida ao capitão-mor José de Souza Fragoso, em 1708, deu origem à Fazenda do Marmelo, em cujas terras seria construída, mais tarde, no século XIX, a 1ª Usina Hidrelétrica da América do Sul.

Já a sesmaria deferida a João de Oliveira, em 1710, teve suas roças vendidas a um juiz de direito que veio atuar na região, nomeado pela Coroa – o Dr. Luiz Fortes Bustamante e Sá – e passou a ser conhecida como Fazenda do Juiz de Fora. Seu desmembramento daria origem à área central da futura cidade.

Com a decadência da exploração aurífera em Minas, no final do século XVIII e início do XIX, o café tornou-se a principal atividade econômica da região, intensificando a circulação de mercadorias e o fluxo de tropeiros, bem como atraindo moradores de povoados vizinhos. Mas a precariedade das estradas fazia com que a viagem até o Rio de Janeiro demorasse semanas. Por este motivo, o Caminho Novo, única via de acesso, teve seu traçado retificado em 1836, o que fez com que o núcleo urbano que começava a se constituir fosse transferido para o outro lado do rio, no traçado da Estrada do Paraibuna. Esta estrada, construída pelo engenheiro Henrique Halfeld, acabou dando origem à atual Avenida Barão do Rio Branco – antes, Rua Direita.

Quando Juiz de Fora foi elevada à categoria de cidade, em 1856, seu desenvolvimento era tal que a atual localidade de Paula Lima – anteriormente conhecida como Engenho do Mato de Chapéu D’Uvas – e o distrito de Sarandira – antes Sarandy – foram anexados ao seu território.


 


Paula Lima e Marco Sesmaria

Instigado pelo espírito de crescimento e modernização, Mariano Procópio Ferreira Lage construiu a primeira estrada de rodagem macadamizada do Brasil – a União & Indústria. Também aproveitando o traçado do Caminho Novo, a estrada ligava Petrópolis a Juiz de Fora, e foi inaugurada em 1861, com a presença do Imperador D. Pedro II.


Igreja Nossa Senhora da Assunção


Casa onde D. Pedro I se hospedou

Em seguida, em 1872 e 1877, foram construídas as duas primeiras estações ferroviárias do município. A chegada da Estrada de Ferro Pedro II trouxe novas modificações ao traçado urbano e à própria vida citadina, com o desenvolvimento da indústria – que passa a se destacar no setor têxtil, a partir de 1888 – e do comércio.

Por seu progresso, a cidade de Juiz de Fora recebeu o codinome de “Manchester Mineira” – numa alusão à cidade inglesa em franco desenvolvimento – e revelou-se como um dos mais valiosos frutos colhidos das sementes plantadas no Caminho Novo.