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A ROCINHA DE JOÃO GOMES QUE SE TORNOU A TERRA DO “PAI
DA AVIAÇÃO” Santos
Dumont surgiu às margens do Caminho Novo, e teve sua
origem a partir da concessão de uma Sesmaria a Domingos
Gonçalves Ramos, em 1709. Suas terras faziam divisa com
a região de Ewbank da Câmara, ao sul, e com a região
onde hoje se encontram Barbacena, Antônio Carlos e Oliveira
Fortes, ao norte, e viriam a ser desmembradas entre seus dois
genros – Pedro Alves de Oliveira e João Gonçalves
Chaves – que se tornariam presenças fundamentais
no povoamento da região e na divisão de terras
do município.
A porção norte, que coube a João Gonçalves
Chaves, passou às mãos de João Gomes Martins,
em 1728, ficando conhecida como “Rocinha de João
Gomes”, cujo núcleo concentrava-se no atual Bairro
Santo Antônio que, por este motivo, é popularmente
chamado “João Gomes Velho”. Já as
terras de Pedro Alves, compreendiam a região ao sul conhecida
como “Francesa”, onde há um marco de sesmaria.
Por volta de 1730, foi construída a primeira Capela da
região na Fazenda de João Gomes, dedicada a “São
Miguel e Almas”, cuja imagem veio de Portugal e encontra-se,
hoje, na Igreja Matriz de São Miguel, em Santos Dumont.
O santo era invocado como protetor dos bandeirantes que se aventuravam
pela perigosa travessia da Serra da Mantiqueira.

Igreja Matriz

Museu de Cabangú
A partir daí, inicia-se
a expansão do núcleo primitivo da população,
com a formação de um arraial que se desenvolve
incorporando o nome da família de João Gomes:
de “Rocinha de João Gomes”, torna-se “Fazenda
de João Gomes”, passa a “Distrito de João
Gomes” e, depois, a “João Gomes Velho”.
Um dos filhos de João Gomes Martins, José Aires
Gomes, possuía o posto de Coronel da Cavalaria e era
amigo de Tiradentes. José Aires foi proprietário
de várias fazendas e pode-se dizer que comandava toda
a região da Mantiqueira. No entanto, por participar da
Inconfidência Mineira, foi degredado para Moçambique
em 1792, deixando esposa e cinco filhos, entre eles, João
Aires, que daria nome a um distrito.
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Mais adiante,
por volta de 1870, a construção do ramal da
Estrada de Ferro D. Pedro II, correspondente ao trecho Mantiqueira–João
Aires, traz para a região o engenheiro Henrique Dumont,
cujo filho – Alberto Santos Dumont – viria a nascer
em 1873, em terras da Fazenda Cabangu, de propriedade da união,
justamente no distrito de João Aires.
Com o desenvolvimento do comércio, o arraial de “João
Gomes Velho” cresce e passa à categoria de Vila,
em 1889, recebendo o nome de Palmyra. Logo em seguida, em
1890, é elevado à condição de
município.
Nas últimas
décadas do século XIX e primeiras do século
XX, as ruas são alinhadas e a água potável
chega aos domicílios, assim como a iluminação
a querosene e, depois, a energia elétrica. Além
dos serviços públicos, muitas empresas são
instaladas, como a Fábrica de Coalho Frísia
Kingma e Cia., a Companhia Brasileira Carbureto de Cálcio
e a Companhia Gráfica de Palmyra (mais tarde, Metalgráfica
Palmyra).
O município
consolida-se como centro regional de comércio, de produção
industrial diversificada e, sobretudo, como pólo de
criação pecuária leiteira. A chegada
da Estrada de Rodagem União & Indústria
também facilita o trânsito pela região,
favorecendo o comércio e o escoamento de mercadorias.

Pico do Navio
A partir de 1932,
em homenagem àquele que se tornara seu filho mais ilustre
– Alberto Santos Dumont, conhecido mundialmente como
o “Pai da Aviação” – o município
de Palmyra passa a se chamar Santos Dumont.

Chafariz Mariano Procópio
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